sábado, 5 de maio de 2012

1 - De D.D. Palmer ao primeiro ajuste


Sempre que lemos sobre a história da Quiropraxia é comentado sobre a origem da manipulação articular, principalmente com ênfase na coluna. Fala-se sobre os egípcios, os polinésios, os chineses, e logo chegamos à Hipocrates, na Grécia. Mas se por um lado é filosófica e historicamente bonito nos remeter tão longe no passado, por outro isso não tem o menor sentido. É como dizer que as primeiras ferramentas criadas pelo homem são a origem histórica da cirurgia. Assim como os cirurgiões fazem uso de utensílios que foram desenvolvidos ao decorrer da evolução humana, nós quiropraxistas nos valemos de algumas "ferramentas" que também foram desenvolvidas com a evolução humana, mas tal como cirurgião, o contexto e objetivo é tão diferente do passado, que a comparação histórica e atribuição de origem pode confundir muito os conceitos da profissão.

É por isso que, para o autor, a história da Quiropraxia como profissão, com seus respectivos objetivos, começa com D.D. Palmer, e não com os antigos manipuladores.


De D.D. Palmer ao primeiro Ajuste.

Daniel David Palmer em 1906 Daniel David Palmer nasceu em 7 de Março de 1845, em um vilarejo chamado Audley (na época era chamado de Brown Corners) em Pickering* - Ontario - Canada **.

D.D. começou a frequentar a escola com 4 anos de idade, mas teve de parar aos 11 anos, pois seu pai estava falindo e D.D. era o filho mais velho e portanto o único que "podia" ajudar na renda da família. De qualquer forma, seu pai o instruía a comprar roupas, livros e se cadastrar em bibliotecas para que pudesse estudar algumas horas antes e depois do trabalho.

Há relatos que ainda criança, D.D. era extremamente curioso e carismático, gostava de aprender sobre todos os assuntos, e era descrito por aqueles que o conheciam como um garoto alegre, saudável e de mente excepcional.Gostava em especial de anatomia anatomia, a ponto de colecionar ossos de animais.


Devido a esse estudo nas horas livres, D.D. concluiu educação prática aos 21 anos.

Viajou para os EUA em 1865, onde trabalha com apicultura e mercearia até começar a atuar como magneto terapeuta. Especula-se que entre o começo de seu estudo da cura magnética até a atuação passaram mais de 10 anos.

Naquela época, a Medicina ainda estava mal estruturada e não contava com padrão de ensino universitário, o que colaborava para muitos questionamentos, inclusive de D.D. Palmer, quanto ao conhecimento médico da época.

Em 1885, começa a atuar como magneto terapeura. Quase com certeza, podemos afirmar que o sucesso se deu devido á cura magnética. De uma única sala, D.D. Palmer alugou quase o prédio inteiro, chegando a 8 salas e aumentando sua renda anual em 1300%

Segundo o próprio D.D., ele praticou magnetoterapia pelos 9 anos anteriores ao descobrimento dos princípios que o levariam a criar a Quiropraxia. Em 1895, tudo se junta e culmina no caso de Harvey Lillard, o homem que recebeu o primeiro ajuste.

A história de Harvey é envolta em leves controvérsias que sondam as diversas versões, mas segue aqui baseado nos textos do próprio D.D. e de B.J., seu filho.

Harvey era zelador (ou porteiro) do prédio onde D.D. trabalhava, e foi procurar por seu atendimento. Relatou ser surdo há 17 anos e que era incapaz de ouvir os sons da rua. Disse que ficou em uma posição apertada e que sentiu algo acontecer na coluna. Ao verificar a colua de Lillard, D.D. notou um "calombo" em uma vértebra, e com um movimento rápido reposicionou a vértebra, o que restaurou sua audição.

Nesse ponto existem duas versões.


Em uma delas a vértebra ajustada foi T4, isso consta no THE SCIENCE, ART, AND PHILOSOPHY OF CHIROPRACTIC, do próprio D.D. Palmer, publicado em 1911. Anos mais tarde, B.J. relatou que na verdade, a vértebra que havia sido corrigida era Axis, e que seu pai não queria que ninguém soubesse pois temia as consequências. Quanto aos críticos B.J. se explicou de forma clara:


"Como eu sei que foi Axis e não T4? Porque eu estava lá, e vi o que meu pai fez, e vi onde ele fez, e foi em Axis!


...Aquilo poderia ser um deslocamento? Se fosse, era perigoso tentar corrigir com as mãos...

...Ele não queria que ninguém fizesse coisa alguma no pescoço, era perigoso e ele temia isso. Temia a tal ponto que alertou seus primeiros alunos "Fiquem longe do pescoço, porque vocês podem produzir paralisia e, assim, destruir o meu novo trabalho que está apenas começando a tomar forma. Se alguns de vocês meninos brincarem com pescoços e paralisar alguém, destruirão facilmente o meu novo trabalho, antes que eu possa estabelecê-lo."


Assim nasceu a Quiropraxia, há quem diga que tanto a profissão quanto o próprio D.D. Palmer são nada mais que frutos do ambiente e seu tempo, o que acaba sendo verdade para todos os grandes gênios.



É um erro pensar que a Quiropraxia foi pioneira na área de manipular a coluna. Na mesma época, Andrew Taylor Still criou a Osteopatia e é evidente que tanto Still quanto Palmer aprenderam muito com os então "Bone Setters", "manipuladores de ossos". Há boatos de que Palmer tenha aprendido com Still, mas parecem ser infundados, tanto pelas diferenças nítidas entre a Quiropraxia e a Osteopatia, quanto pelo fato de que D.D. nunca escondeu o nome de seu mentor, Jim Atkinson.

D.D. sequer afirmava ser o criador da manipulação, e dizia que não fora o primeiro a corrigir uma subluxação na coluna, mas fora o primeiro a fazê-lo pelo processo espinhoso e processo transverso, de uma única vértebra.






* Algumas fontes dizem que foi em 6 de março, e em Port Perry. Sobre a data, o próprio D.D. e seu neto Dave deixaram escritos que foi dia 7 e não 6. Sobre o local exato as coisas complicam, talvez porque o D.D. não se lembrava muito bem dos dias de recém nascido.

** Stephan Palmer, avô de D.D. Palmer, era britânico e foi para o Canadá em meados de 1700.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Evidências científicas da Subluxação - Fisiologia Neural

É recorrente o questionamento científico acerca da Subluxação, mas a ironia é quando essa dúvida vem dos próprios quiropraxistas. É obviamente indispensável uma boa base científica para explicar em termos mais pomposos aquilo que nossa filosofia já afirma e explica há anos.

Com base nisso, selecionei alguns artigos pontuais que apesar de bastante antigos e "pouco valorosos" para o tipo de pesquisa médica que se exige hoje, são o suficiente para demonstrar irrefutavelmente a relação entre a subluxação e o sistema nervoso, ainda que sejam apenas o engatinhar para novas pesquisas.

Para manter a organização e dinâmica, vou comentar um artigo por vez.

Em uma pesquisa publicada no ano de 1983,¹ foram induzidas subluxações na L6 de ratos, com o uso de um instrumento em contato com o processo espinhoso, e foram realizadas mensurações eletrofisiológicas (desculpem a falta de detalhes a respeito disso, não encontrei este artigo na íntegra, mas aparentemente foi um tipo de eletroneuromiografia).

A pesquisa demonstrou claro aumento na latência das ondas H (ou H-Waves), que normalmente são de rápida resposta, curta duração e baixa amplitude.

Essas ondas H  determinam o Reflexo H (ou reflexo de Hoffman) que é semelhante ao reflexo medular de estiramento, no entanto, o reflexo H ignora a ação do fuso muscular, e a mensuração de latência e amplitude é utilizada para avaliar uma raiz nervosa.

Um outro estudo demonstrou que pessoas que manifestam radiculopatias apresentam um aumento na amplitude das ondas H antes da radiculopatia.

A relação entre a compressão de tecido nervoso causada pela subluxação, ocasionando prejuízo de condutibilidade ficou evidente, mas infelizmente novos estudos com base nessa pesquisa não foram realizados, nem pelo autor nem por outros pesquisadores.

Um fato interessante é que astronautas que ficam muito tempo sob gravidade zero apresentam diminuição significativa do reflexo H, talvez devido à redução da excitabilidade da medula.

Seja como for, a compressão de tecido neural por parte da subluxação, prejudicando os impulsos nervosos, possui evidências científicas relevantes, apesar de carecer de novos estudos. O problema é que em algum momento o foco foi perdido, e muitos cientistas quiropraxista deixaram de enfatizar a pesquisa na subluxação e suas consequências.

A relação entre a compressão neural, a latência, a amplitude e duração das ondas H podem nos oferecer dados extremamente relevantes se vistas pela ótica da Física, afinal trata-se de uma análise eletroquímica. Mas qualquer conclusão minha seria puramente dedutiva, e não condiz com o objetivo deste texto.



# OBSERVAÇÃO IMPORTANTE - Sou absolutamente contra pesquisas realizadas com animais, me vali desse artigo por 3 motivos: 1- É muito antigo, e a ética em pesquisa melhorou com o tempo. 2- É uma das pouquíssimas pesquisas diretamente relacionadas com subluxação e a influência sobre o tecido nervoso. 3- Permite que novas pesquisas possam ser realizadas, agora em seres humanos, com base nos resultados, expectativas e deduções desta primeira.


1- ISRAEL, VALERIE. Changes in nerve physiology in the rat after induced subluxation.
M.Sc Thesis; Sumarizado no Articulations 1983; (Aug):9-10

2-  ADAMS, R.W.; The Effects of Voluntary Contraction on the H Reflex of Human Limb Muscles.  Brain (1989) 112(2): 417-433



3- ALROWAYEH, H.N.; SABBAHI, M.A. H-reflex amplitude asymmetry is an earlier sign of nerve root involvement than latency in patients with S1 radiculopathy. BMC Research Notes 2011, 4:102


4- MAKOVEC,M.; BENEDICIC,M.; BOSNJAK, R. H Wave and Spinal Root Potentials in Neuromonitoring of S1 Root Function during Evacuation of Herniated Disc: Preliminary Results. Croat Med J. 2006 April; 47(2): 298–304.

domingo, 29 de abril de 2012

O "ciclo do alfinete" - Informação para as pessoas

Instruir as pessoas sobre os princípios quiropráticos é um desafio desde o começo da profissão. Por ser tão diferente da maioria das coisas que estamos acostumados, é preciso uma mínima didática para tornar a teoria facilmente inteligível e possibilitar sua explicação em poucos minutos.

Um modelo muito utilizado pelos quiropraxistas é o "ciclo do alfinete", que ilustra de maneira simples e com um objeto quase cotidiano o fluxo de informação do cérebro para o corpo e vice-verse, além de permitir uma alusão à subluxação. Dessa forma é sempre bom conhecer mais um modo de explicar Quiropraxia, até porque ainda teremos de explicá-la muitas vezes!

A imagem, e o ciclo simplificado, são auto explicativos, mas devem contar com o reforço do quiropraxista, dando mais detalhas em algumas vezes.



sexta-feira, 23 de março de 2012

Conhecendo um pouco da Atlas Orthogonal

Atlas Orthogonal é um procedimento desenvolvido por Roy Sweat em 1980 que tem como base o procedimento de John F. Grostic, que criou um sistema de quantificação da subluxação do atlas. 


O procedimento de avaliação requer uma série de radiografias específicas para a visualização e quantificação com precisão milimétrica da subluxação de Atlas.


Uma checagem através de palpação cervical e comprimento de perna (Leg Check) é feita para determinar quando a pessoa esta, ou não, precisando ser ajustada. Quando o atlas esta fora de seu alinhamento natural, o quiropraxista detecta na palpação cervical e na visualização do comprimento das pernas.

Quando fora de alinhamento, o ajuste é feito através de um instrumento que envia uma onda sonora no processo transverso do atlas na direção da correção, com a cabeça devidamente estabilizada e na altura e ângulo de acordo com os cálculos das radiografias. O ajuste em si é imperceptível, mas a palpação cervical e a checagem de perna confirmam a eficácia do ajuste.


O objetivo é que o ajuste se mantenha por mais tempo possível. Enquanto o atlas esta em sua posição natural, o sistema nervoso funciona sem interferência, possibilitando que o corpo funcione naturalmente da forma que foi criado para ser.




Contribuição de Paulo Sugimoto

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | JCPenney Coupons